[Valid RSS] [Valid RSS] Lendas Artes e Literatura Góticas: Agosto 2012

Seja Bem Vindos!

22 agosto, 2012

ESPÍRITO DAS TREVAS


- Que tipo de sacrifício?
Seu dedo foi colocado sobre o ponteiro, que foi guiado até formar a frase ” Abram as mãos”
Todos abriram as mãos, e olharam suas mãos, curiosos, ouviram um barulho atrás de deles, e se viraram, de repente um grito altíssimo e horripilante a frente deles. Era de Ana, sua mão tinha sido furada pelo ponteiro, que foi lançado contra parede. Eles saíram correndo dali e foram para suas casas. Depois disso, anos se passaram, todos se casaram e tiveram filhos. Inclusive, Ana, que no local foi atingida pelo ponteiro, tinha ficado uma persistente marca, e doía constantemente, nenhum dos médicos identificavam o que era a tal dor.
Um dia Ana chegou em casa cansada e foi deitar-se, no meio da noite, ela acordou assustada, e olhou a cima da cabeceira da cama e viu um ponteiro manchado de vermelho, que se moveu e escreveu contra a parede ” Agora, eu te levarei!” De repente, Ana saiu de si, levantou-se foi até a cozinha e pegou a maior faca que tinha e foi ao quarto da filha, Lilia, de 7 anos. A filha dormia, e Ana se aproximou, e bateu desenfreadamente na filha e a jogou contra a porta do quarto, Lilia, muito machucada, olhava sua mãe se aproximar de com olhar assassino, e como num sussurro conseguiu pronunciar:
- Mamãe, eu te amo!
Logo apos foi apunhalada, sem nenhuma pena por Ana, que a esquartejou e bebeu seu sangue. Foi até seu quarto e apunhalou seu marido, enquanto o mesmo, dormia. Ela deitou em sua cama e dormiu com o corpo do Marido ao lado. Horas depois, ainda de madrugada, ela levantou e olhou o corpo ensanguentado ao lado de seu marido. Depois correu ao quarto da filha, que estava ensanguentada, ela desesperada, agora em si, correu ao banheiro, tentando convencer-se que era um pesadelo, de repente viu no espelho do banheiro, uma criatura branca e cheia de machucados com os olhos cobertos pelo cabelo liso e escorrido, a criatura entrou dentro de seu corpo, pegou a faca e se apunhalou.




20 agosto, 2012

A Janela Vedada


Em 1830, a poucas ilhas do que é agora a grande cidade de Cincinnati, estendia-se uma imensa floresta quase inviolada. A região inteira era esparsamente habitada por gente da fronteira – almas inquietas que, tão logo houvessem extraído daquele ermo lares decentemente habitáveis e alcançado o grau de prosperidade que hoje em dia chamaríamos de penúria, abandonavam tudo, impelidos por algum impulso misterioso de sua natureza, e se lançavam adiante, rumo ao oeste, para enfrentar novos perigos e privações, sequiosos que estavam de recuperar o parco bem-estar do qual haviam voluntariamente abdicado.
Muitos destes já haviam trocado a região pelos povoados mais distantes, mas, entre os que ficaram, encontrava-se alguém que fora dos primeiros a chegar. Ele vivia sozinho numa habitação de madeira cercada de todos os lados pela vasta floresta a cuja escuridão e silêncio ele próprio parecia pertencer, pois ninguém jamais o vira sorrir nem o ouvira dizer uma palavra supérflua.
Suas escassas necessidades eram supridas, na aldeia ribeirinha, pela venda ou troca de peles de animais selvagens, uma vez que ele nada plantava na terra que, se preciso, poderia reivindicar por usucapião. Havia sinais de “melhoramentos” – alguns acres ao redor da casa tinham sido desmatados e os restos apodrecidos das árvores se erguiam semi-ocultos pela vegetação recente à qual se permitira remendar o que o machado devastara. Aparentemente, seu entusiasmo pela agricultura se consumira numa chama tíbia antes de apagar-se em cinzas lúgubres.
O casebre de madeira, com sua chaminé primitiva, seu telhado de ripas arqueadas dispostas sobre vigas cruzadas e calafetas com barro, tinha uma única porta no lado oposto ao da janela. Esta, contudo, estava vedada com tábuas e ninguém recordava quando é que não fora assim. Ninguém tampouco sabia o porquê da vedação. Decerto não era porque o ocupante sofresse de aversão à luz ou ao ar, já que, nas raras ocasiões em que o caçador cruzara aquele lugar solitário, o recluso, caso os céus lhe houvessem propiciado um bom tempo, fora frequentemente visto a tomar sol diante da casa. Creio que há poucas pessoas ainda vivas que saibam o segredo da janela, mas, como vocês verão, eu sou uma delas. Diziam que ele se chamava Murlock. Embora aparentasse setenta, tinha cerca de cinqüenta anos.

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Outra coisa, além dos anos, contribuiu para seu envelhecimento. Seu cabelo e a longa barba cerrada eram grisalhos, tinha olhos castanhos, embaçados, fundos e um rosto singularmente sulcado de rugas que pareciam pertencer a dois conjuntos entrecruzados. Seu porte era alto e magro, com os ombros encurvados de quem carrega peso. Eu mesmo nunca o vi, e fui informado desses pormenores por meu avô, que foi quem, na minha infância, contou-me a história de Murlock. Ele o conhecera quando, naqueles dias remotos, viva em sua vizinhança.
Um dia Murlock foi achado morto em sua cabana. Como aquela não era uma época de legistas e jornais, concordou-se, suponho, que ele morrera de causas naturais, pois, caso contrário, teriam me dito e eu me lembraria. Tudo o que sei é que, talvez com um sentido do que era apropriado, o corpo foi enterrado perto da cabana, junto à sepultura de sua mulher, que, por ter morrido tantos anos antes, mal deixara na memória local um traço que fosse de sua existência.
Isso encerra o capítulo final deste história verdadeira, exceto, aliás, pelo fato de que anos e anos mais tarde, acompanhado de um espírito igualmente intrépido, aventurei-me no recanto e me aproximei da cabana o bastante para tirar nela uma pedra e sair correndo do fantasma que, como todo garoto bem informado sabia, assombrava o lugar. Há, porém, um capítulo anterior – aquele com que meu avô me presenteara.
Quando Murlock construiu sua cabana e se dedicou vigorosamente ao desmatamento com o intuito de lavrar uma roça, vivendo entrementes de seu rifle, era jovem, robusto e confiante. No país a leste do qual viera ele se casara, como era costume, com uma jovem que, em tudo merecedora de sua afeição sincera, compartilhava, de boa vontade e sem remorsos, os perigos e privações de seu destino. Não há, que se saiba, registro de seu nome. Sobre seus encantos espirituais e pessoais, tampouco há lembrança, e quem tiver dúvidas, que as tenha. Mas Deus me livre de endossá-las! Não faltaram, em cada dia vivido pelo viúvo, provas de sua felicidade e afeto mútuo; pois o que, senão o magnetismo de bênçãos relembradas, poderia ter acorrentado aquele espírito arrojado a tal sina?
Certo dia, voltando de uma parte remota da floresta aonde fora caçar, Murlock encontrou a mulher alquebrada, febril e delirando. Não havia médico num raio de muitos quilômetros, nem vizinho algum. Tampouco ela estava em condições de ser deixada a sós enquanto ele buscava auxílio. Ele tentou cuidar dela, esperando que se recuperasse, mas, ao final do terceiro dia, a mulher perdeu a consciência e, sem jamais, ao que parece, tê-la recuperado, faleceu.
Pelo que sabemos de temperamentos como o dele, podemos imaginar alguns dos detalhes do quadro cujos contornos meu avô delineara. Uma vez convencido da morte dela, Murlock manteve a lucidez necessária para se lembrar de que os mortos devem ser preparados para o enterro. Cumprindo esse dever sagrado, cometeu erros de quando em quando, fez algumas coisas incorretamente e repetiu outras várias vezes até acertar.
Sua incapacidade aqui e ali de executar uma ação comum o deixava atônito como alguém que, embriagado, não entende a suspensão de leis da natureza conhecidas. Que não chorasse, surpreendia-o e também meio que o envergonhava: decerto era insensível não chorar pelos mortos. “Amanhã”, disse em voz alta, “terei feito o caixão e cavado a sepultura; então sentirei falta dela, quando não puder mais vê-la; mas agora – ela está morta, é claro, mas está tudo bem – deve estar tudo bem, de algum modo. Nada é tão ruim quanto parece.”
De frente para o cadáver, à medida que escurecia, ele lhe arrumou o cabelo e deu os retoques finais a seu vestuário singelo. Fez tudo mecanicamente, com uma atenção despida de sentimentos. E, no entanto, uma sensação subjacente de certeza – de que tudo estava bem – perpassara-lhe a mente. Sem experiência prévia de dor, sua capacidade de senti-la não fora exercitada pelo uso. Seu coração era incapaz de abarcá-la por inteiro e sua imaginação, de imaginá-la. Ele ignorava a dureza do golpe que sofrera. Tal conhecimento viria depois e nunca mais o deixaria.
A dor é uma artista cujos poderes são tão diversos quanto os instrumentos nos quais toca seus lamentos para os mortos, despertando em alguns as notas mais agudas e penetrantes e em outros os acordes baixos e graves que palpitam repetidamente como as cadências lentas de um tambor distante. Alguns temperamentos, ela alarma; outros, entorpece. Há quem ela atinja feito uma flecha, excitando-lhe as suscetibilidades para uma vida mais ativa; há quem ela abata como uma clava que, num golpe, paralisa a vítima.

Murlock foi provavelmente afetado desta última maneira, pois (e isto é mais do que mera conjectura), assim que terminou suas piedosas tarefas, afundou na cadeira junto à mesa sobre a qual jazia o corpo e, observando quão branco o perfil se mostrava contra as trevas cada vez mais espessas, depôs os braços na borda da mesa e, sem lágrimas mas indizivelmente exausto, deixou cair neles seu rosto. Naquele preciso instante, um gemido prolongado, semelhante ao grito de uma criança perdido no fundo da floresta que escurecia, entrou pela janela aberta. Ele, porém, não se mexeu. Ainda mais próximo, o grito sobrenatural soou de novo enquanto ele desacordava. Talvez fosse uma fera, talvez um sonho. Pois Murlock adormecera.
Algumas horas mais tarde, ou assim lhe pareceu depois, a sentinela irresponsável acordou e, erguendo a cabeça deitada nos braços, ouviu atentamente – sem saber por quê. Lá, no breu escuro junto à morta, recordando tudo sem sobressalto, ele se esforçou para ver não sabia o quê. Todos os seus sentidos em estado de alerta e a respiração suspensa, seu sangue, como que colaborando com o silêncio, parara de correr. Quem ou o que o acordara, e aonde é que estava?
Súbito a mesa foi sacudida debaixo de seus braços e no mesmo instante ele escutou, ou julgou escutar, um passo leve, suave, e mais outro - sons de pés descalços pisando o chão!
Aterrorizado demais para gritar ou se mover, viu-se obrigado a aguardar – aguardar ali no escuro durante o que lhe pareceu serem séculos do maior pavor que se pode experimentar e ainda viver para contar. Ele tentou em vão pronunciar o nome da morta, tentou em vão estender a mão sobre a mesa para verificar se ela estava ali. Sua garganta estagnou, seus braços e mãos pesavam como chumbo.
Foi então que ocorreu algo assustador. Um corpo pesado parecia ter sido arremessado contra a mesa com tamanho ímpeto que esta foi empurrada contra seu peito tão bruscamente a ponto de quase derrubá-lo. Ao mesmo tempo, ouviu e sentiu algo cair no chão com um baque cujo impacto violento fez a casa inteira estremecer. Seguiram-se um embate e um tumulto barulhento impossíveis de descrever. Murlock se ergueu. O excesso de medo o privara do controle de suas faculdades. Ele lançou as mãos sobre a mesa.
Não havia nada lá! Há um ponto no qual o pavor se converte em loucura e a loucura instiga a ação. Sem intenção clara ou motivo, salvo o impulso caprichoso de um louco, Murlock alcançou com um salto a parede e, após tateá-la brevemente, pegou seu rifle carregado e, sem fazer mira, disparou. Graças ao clarão que iluminou vividamente a sala ele viu uma pantera imensa arrastando a morta ruma à janela, seus dentes cravados no pescoço dela! O que veio em seguida foi uma escuridão ainda mais negra e o silêncio. Quando ele recobrou os sentidos, o sol estava alto e a floresta melodiosa com o canto dos pássaros.
O corpo jazia perto da janela onde, espantada pelo clarão e pelo estampido do rifle, a fera o deixara. A roupa estava desarrumada; a longa cabeleira, revolta; os membros, contorcidos ao léu. Do pescoço horrendamente dilacerado jorrava uma poça de sangue ainda não de todo coagulado. A fita com a qual ele lhe atara os pulsos se rompera. As mãos estavam firmemente crispadas. Havia entre os dentes um pedaço da orelha do animal. 

18 agosto, 2012

Imagens Fantasmagóricas




Depois de revelar a foto foi observado que na porta do quarto aparece o espirito de uma garota tomando forma.



Nesta foto aparece uma manifestação de ectoplasma no meio da rua.


Ao tentar fotografar o por do Sol, o fotografo se deparou com uma forma humana fantasmagórica.



Ao tirar uma foto de um tumulo, eis que surge uma mulher sentada no tumulo em que ela esta enterrada. 



Em 1987, a Sra. Sayers visitou o Museu do Ar em Yeovilton em Somerset (Inglaterra). Havia um helicóptero que foi derrubado na guerra das Ilhas Falkland, em 1982, a Sra. Sayers resolveu tirar uma foto de dentro da cabine do helicóptero. Pra sua surpresa, do seu lado apareceu o co-piloto do helicóptero que morreu durante o combate.


Uma estranha comunicação telefônica com o Além




Exponho hoje um caso verificado no ano de 1823, vivido pelo escritor Coelho Neto, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Caso que o levou a converter-se ao Espiritismo e que, publicado pelo “Jornal do Brasil (7/ 06/ 1823), provocou grande alarido nos meios culturais, especialmente porque o célebre escritor era ateu convicto e um combatente obstinado da doutrina kardecista, por considerá-la a mais ridícula das superstições.
Como relata Coelho Neto, numa entrevista intitulada “conversão”, relatou a experiência que tivera e que o impressionara tanto. Assim o escritor relatou o caso: “Depois da morte da pequenina Ester, que era o nosso enlevo, a vida tornou-se sombria. Minha mulher, para quem a neta era tudo, não fazia outra coisa senão evocá-la, reunindo lembranças: roupas, brinquedos, etc.
Júlia... Coitada! Nem sei como resistiu à perda do marido e, seis meses depois, a da filha. Pensei perdê-la. Todas as manhãs lá ia ela para o cemitério, cobrir o pequeno túmulo de flores, e lá ficava horas e horas, conversando com a terra, com o mesmo carinho com que conversava com a filha. Ia, depois, ao túmulo do marido e assim vivia entre mortos, alheia ao mais, indiferente a tudo.
Propus mudarmo-nos para Copacabana. Opôs-de. Insistiu em ficar em casa, em que fora feliz e desgraçada, mas onde perduravam recordações do seu tempo de ventura. Temi que a seduzissem para o Espiritismo. No estado de abatimento moral em que ela se achava, seria arriscado perturbar-lhe a razão com prática nigromânticas. As minhas ordens severas foram obedecidas: Júlia passava os dias no quarto, que fora da filha falecida, e de fora ouvíamo-la falar, rir, contar histórias de fadas, exatamente como fazia durante a vida da criança. Tais ilusões eram bálsamos que aliviavam a alma, como a morfina alivia as dores. Cessada a ilusão, o desespero irrompia mais forte. Era assim.
Uma manhã, porém, com surpresa de todos, Julia apareceu-nos risonha. Interroguei-a. Sorriu. Interroguei minha mulher. Nada. Confesso que cheguei a pensar que ela se interessara por Lucílio, que se tornava mais assíduo nas visitas... Já começava a fazer-me tal idéia quando uma noite minha mulher entrou-me pelo escritório, lavada em lágrimas, e disse-me, abraçando-me, que a filha enlouquecera. “Ela está lá embaixo, ao telefone, falando com Ester”. Espantado perguntei: “Que Ester?” - Ora, ora... A filha...
Encarei-a demoradamente, certo que a louca era ela, não Júlia. Como se captasse meu pensamento, ela insistiu: “-Lá está. Se queres convencer-te, vem até a escada. Poderás ouvi-la.” Fui com minha mulher até a balaustrada do primeiro andar. Júlia falava baixo, no escuro. Não conseguíamos ouvir uma palavra. Era um sussurro meigo, cortado de risinhos. O que me pareceu que a conversa era de amor.
Por que dizes que ela fala com Ester? Perguntei à minha mulher. -
-“Porque ela mesma mo confessou e não imaginas com que alegria”. 
Fiquei estatelado, sem compreender o que ouvia. De repente, numa decisão, entrei no escritório onde havia uma extensão telefônica, levantei lentamente o fone do aparelho, apliquei-o ao ouvido e ouvi. Ouvi minha neta. Reconheci-lhe a voz. Mas não foi a voz o que me impressionou, que me fez sorrir e chorar, senão o que ela dizia.
Ainda que eu duvidasse, com toda a minha incredulidade, havia de convencer-me, tais eram as referências, as alusões que a pequenina voz do Além fazia a fatos, incidentes da vida que conosco vivera. 
Ouvi toda a conversa e compreendi que nos estamos aproximando da grande era; que o finito defronta o infinito, e das fronteiras que os separam, as almas já se comunicam. 
Em resposta à indagação que lhe fez um jornalista sobre como consegue D. Júlia pôr-se em comunicação com o espírito da filha, Coelho Neto respondeu: “Quando Júlia deseja comunicar-se com a filha, invoca-a, chama-a com o coração, com o amor e ouve-lhe imediatamente a voz”.Coelho Neto testemunhou pessoalmente uma comunicação (TCI) por telefone, entre sua filha viva e a sua neta falecida há poucos meses, e não duvidou da verdade dos que estava acontecendo, em sua própria casa.
Este fato fez de um perseguidor ferrenho do Espiritismo, um ardoroso defensor do mesmo, um participante entusiasmado nas tarefas do Centro. Hoje sabemos que o fenômeno da Transcomunicação Instrumental com os Espíritos (TCI) faz parte de estudos e de pesquisa em vários países da Europa, nos EEUU e no Brasil.
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Fonte: Jorge Rizzine, In Escritores e Fantasmas.
Adaptação e postagem de Eva/ZCMC.



13 agosto, 2012

A Mansão mal assombrada



A Mansão Woodchester é uma mansão vitoriana inglesa que nunca foi terminada e completamente habitada.

Ela foi construída pelo maçom William Leigh e desde a sua morte em 1873 a Mansão tem sido foco de investigações devido a sua simbologia e existência de assombrações.

Várias visões foram registradas nos últimos duzentos anos. Em 1902, um vigário local viu uma aparição estranha nos portões da mansão e alguns anos depois um cavaleiro fantasma também foi visto em sua entrada.

Mas o epicentro das assombrações é a própria mansão. Do alto da Capela aos baixios do porão, a Mansão conta com os fantasmas mais apavorantes da Inglaterra. Os visitantes sofrem colapsos e são atacados por forças invisíveis.
No banheiro há o fantasma de um homem que freqüentemente se manifesta como uma cabeça flutuante e próximo a ele há o fantasma de uma velha que gosta de atacar mulheres agarrando-as no escuro.
Por que a mansão é tão assombrada ninguém realmente sabe explicar, mas uma teoria é que a mansão fica em um lugar onde havia anteriormente três prédios antigos, e é assombrada pelos fantasmas destas antigas estruturas.


10 agosto, 2012

Os locais mais assustadores do mundo


O tipo de turismo que é especializado em acontecimentos sobrenaturais é realizado em todas as partes do planeta.
O chamado Turismo de Terror ganha espaço em locais históricos onde aconteceu algum indício de manifestação paranormal.
 Na Europa, principalmente, castelos e fortalezas trazem histórias de guerras e execuções que, supostamente, deixaram para trás espíritos que ainda procuram a luz.
Nos Estados Unidos, locais mais contemporâneos trazem histórias não menos assustadoras.
Se você tem coragem e quer conhecer os lugares mais misteriosos do mundo, confira esta lista preparada pela Revista Time, e veja o que e quem você pode encontrar ao visitar cada local. Boa viagem e boa sorte.

A Casa Amityville
Esta casa situada no número 112 da Ocean Avenue, em Amityville, Nova York, foi palco de um brutal assassinato em 14 de novembro de 1974. Aos 23 anos, Ronald DeFeo Jr. atirou e matou seus pais e quatro irmãos.
Pouco mais de um ano após o crime, George e Kathy Lutz e seus quatro filhos se mudaram para a casa dos DeFeo. A família adorou a casa, mas as coisas mudaram após poucos dias. Mesmo depois de ter o lugar abençoado por um padre, a família começou a passar por situações estranhas, como ouvir ruídos, passos e sentir odores misteriosos.
A versão dos Lutz sempre foi contestada, e muitos dizem que ela fez parte de uma jogada de publicidade para um conto literário. O fato é que a casa de Amityville ficou conhecida como um dos lugares mais assustadores dos Estados Unidos. Atualmente, ela está à venda e ainda é visitada por dezenas de curiosos que querem ver de perto o imóvel que inspirou livros e filmes.

Torre de Londres 
Erguida por William o Conquistador, no século 11, esta antiga prisão política e local de execução tem sido vista como um dos edifícios mais assombrado das Ilhas Britânicas. Entre os fantasmas ¿avistados¿ através da fortaleza, estão os espíritos de Anne Boleyn, mulher de Henrique VIII, que foi decapitado em 1536, Lady Jane Grey, que foi avistada por uma guarda em 12 de fevereiro de 1957, no aniversário de 403 anos de sua morte. O primeiro fantasma visto no edifício foi o de Thomas Beckett, no século13.

Castelo de Edimburgo
Com cerca de 900 anos de história, seria quase uma surpresa se o Castelo de Edimburgo não fosse um dos locais mais assombrados da Escócia. Desde a sua construção como uma fortaleza militar do século 12, o castelo foi testemunha de ataques de surpresa e execuções.
Reencarnado como uma atração turística, o Castelo de Edimburgo oferece agora passeios por suas masmorras, que já acolheu nomes como Alexander Stewart Duque de Albany (que escapou, apunhalando seus guardas até a morte, e depois queimou seus corpos), Lady Janet Douglas de Glamis (acusado de bruxaria e queimada na fogueira) e um flautista anônimo que vagou por uma das passagens subterrâneas do castelo e nunca mais voltou.
Em 2001, o Castelo de Edimburgo tornou-se o lugar de uma das maiores investigações paranormais na história. Uma equipe de nove pesquisadores e mais de 200 membros do público exploraram câmaras do castelo e passagens secretas em busca de sinais de acontecimentos fantasmagóricos.
Mais da metade dos participantes relataram experiências paranormais. Figuras sombrias, quedas bruscas de temperatura e a sensação de algo puxando suas roupas estão entre as experiências cotidianas.
                                                       
 Campo de Gettysbu
A batalha de Gettysburg durou três dias e foi uma das mais sangrentas da história americana, com cerca de 50 mil soldados mortos no conflito. Com tantos homens jovens mortos de forma tão violenta, muitos acreditam que o local é assombrado por soldados caídos incapazes de aceitar a morte prematura. Dizem que estas almas inquietas vagam pelos campos da Pensilvânia, em busca de seus rifles e companheiros, sem saber que a batalha já foi encerrada.

A Fazenda de Murta
Esta propriedade em St. Francisville, Louisiana, construída em 1796, pelo general David Bradford, é considerada um dos lugares mais assombrados da América. Alguns dizem que nela ocorreram mais de dez assassinatos.
Um dos contos mais populares relata a história de uma ex-escrava chamada Chloe que, diz a lenda, teve sua orelha decepada por seu mestre. Ela teria tentado vingança pelo envenenamento de um bolo de aniversário, que matou as duas das filhas do mestre de escravos. Os espíritos de Chloe e das crianças estão entre as aparições relatadas na propriedade.

Navio Queen Mary
O Queen Mary é um antigo navio da Segunda Guerra, que foi adquirido pela cidade de Long Beach em 1967 e transformado em um hotel, e se tornou uma atração turística popular. Entre os fantasmas, supostamente ainda estão um marinheiro que morreu na sala de máquinas do navio, a “dama de branco”, e as crianças que se afogaram na piscina da embarcação. No total, foram catalogados 55 espíritos no Queen Mary. O navio é listado no Registro Nacional de Lugares Históricos dos Estados Unidos e está permanentemente ancorado em Long Beach, Califórnia, e também funciona como museu.

    Penitenciária Estadual da Filadélfia 
Criada em 1829, com imponentes paredes de castelo e torres de vigia, a Penitenciária Estadual Oriental (Eastern State), na Filadélfia, foi a primeira prisão a ter uma solitária. Presos ficavam sozinhos, comiam sozinhos e até os exercícios eram feitos individualmente. 
Eastern State foi acusada de ter causado doença mental entre os seus prisioneiros. Ela funcionou como uma prisão de 1913 até ao seu fechamento em 1970, e abrigou criminosos famosos, como Al Capone.
Desde quando foi desativada, a penitenciária passou a receber visitação pública e se transformou em um museu. Desde então, tem se ouvido histórias sobre sons vindos das celas, barulhos estranhos e solitários lamentos de frio nos escuros corredores.
A cela número 12 é famosa por uma risada assombrosa e a torre de guardas acumula relatos de aparições de uma figura sombria que vigia a prisão durante as noites.
  Casa Whaley
Mesmo os mais céticos do governo não puderam refutar as provas de que esta casa no bairro de San Diego abriga espíritos. Na década de 1960, o Departamento Americano de Comércio classificou a Casa Whaley como mal assombrada.
O Travel Channel também classificou a casa como a mais sobrenatural da América. Seu primeiro fantasma foi Yankee Jim Robinson, que foi enforcado no local em 1852. Quando James Whaley construiu a casa em 1987 (que em meados do século 19 serviu como um celeiro, tribunal e armazém geral), ele afirmou ouvir barulhos feitos por Robinson pelos corredores.
Os visitantes também têm relatado aparições de uma menina surpreendente jovem em um vestido longo na sala de jantar. Quando está aberta ao público, incontáveis eventos sobrenaturais são presenciados. Sons e vozes indicam a presença de algum visitante perdido ou algum ladrão, porém, uma checagem mais detalhada mostra que nada está emitindo os sons.
  Casa Branca
A residência mais famosa da América também é supostamente uma das mais malassombradas. Segundo a tradição, alguns dos seus habitantes permaneceram na casa por causa da sede de poder adquirida durante o tempo que ali permaneceram.
Se você acredita em sussurros, dizem que o fantasma de Abigail Adams (esposa de John Adams, segundo presidente do país) faz roupas no quarto leste, enquanto o espírito de Dolley Madison gosta de se esconder em torno do jardim.
Mas o fantasma mais ilustre, sem dúvida, é do lendário Abraham Lincoln, que ainda ocupa o quarto do ex-presidente, segundo a lenda.

  Mansão Winchester
Após a morte de seu marido e filho, Sarah Winchester (a esposa do filho do criador de rifle) consultou um vidente. E esse proclamou que sua família fora morta pelos fantasmas daqueles que morreram de balas das armas Winchester.
O vidente sugeriu que apenas a construção permanente na mansão da família poderia acalmar os espíritos. Assim, ela deveria construir quartos para que os espíritos de luz permanecessem na casa, proporcionado a paz para que os barulhos cessassem. Mas nada disso aconteceu. Os barulhos continuavam a atormentar Sarah, que resolveu construir a casa até o fim de sua vida.
A propriedade de 160 quartos é realmente bizarra. Escadas que não levam a lugar algum e portas que abrem para paredes. O chefe de obras chegava pela manhã e Sarah dava as instruções do que queria para o dia. E no dia seguinte ela poderia demolir o que foi feito no dia anterior e reconstruir de outra forma. Assim os espíritos poderiam ficar mais e mais confusos.

Fonte: Terra

09 agosto, 2012

Uma noite medonha na estrada assombrada...

 

Há algum tempo numa cidadezinha mineira, Dito que era pedreiro e seu amigo Tonho que sempre o ajudava como servente pegaram um serviço de empreita em um lugar distante da cidade próximo ao distrito de Candelária, já na serra da Mantiqueira. Chegaram lá em um domingo a tarde pois pretendiam começar o serviço na segunda e terminar na sexta, o lugar é bastante desabitado, a casa mais próxima do rancho onde se estabeleceram fica a mais de 1 km e o local é uma serra íngreme onde carro só chega em tempo de seca. Eles começaram o serviço e na quarta-feira precisavam comprar mais algumas coisas já que não levaram o suficiente para toda a semana até mesmo porque era uma motivo justo para sair um pouco daquele lugar ermo, com fama de mal assombrado, onde raramente se via viva alma.
Terminaram o serviço lá pelas 17:00 e desceram até o vilarejo de Candelária que ficava a uns 7 ou 8 km de onde estavam. Como estavam tranquilos e sem pressa chegaram na vila mais ou menos 19:00. Como são bastante conhecidos, e como todo bom mineiro compraram o que precisavam na venda e ficaram fazendo hora no boteco mais movimentado do lugar, jogando uma sinuquinha e conversa fora. Lá pelas 22:30 perceberam que já estava tarde e para subir a serra é mais demorado. Mas o dono do boteco que era muito amigo dos dois insistiu que eles dormissem num quartinho que tinha ali mesmo no boteco e irem embora no outro dia de manhã porque a estrada que ia para onde estavam era assombrada conforme moradores locais que contam casos medonhos de aparições, alguns bem sinistros.

O Tonho já estava até aceitando a idéia mas o Dito que não era muito supersticioso e já tinha tomado umas pingas disse que se ficassem ali tinham que levantar de madrugada no dia seguinte se ali ficassem e preferia ir naquele horário mesmo. E lá foram os dois. Era noite de lua e o céu estava muito limpo a lua clareava bem o caminho. Quando estava faltando pouco menos de 2 km para chegarem ao rancho, no trecho da trilha que dava início à parte mais dura da subida, escutaram no meio de uma matinha um ronco estranho e amedrontador. O Tonho ficou de cabelo arrepiado na hora, mas o Dito que era um pouco mais corajoso e com a ajuda da pinga disse "se for o demônio pode vir que eu enfrento", mal terminou a frase o céu que estava limpo começou a formar umas nuvens escuras e uma ventania muito forte, aí a situação ficou apavorante e tiveram que correr, ao passarem debaixo de um bambuzeiro enorme que lá tinha, os bambus deitavam na estrada por causa do vento parecia que ia cercá-los e junto com o vento aquele ronco horrível que nunca ouviram antes, cada vez mais forte e ensurdecedor.

Subiram a serra correndo o mais que podiam, sentindo que atrás deles uma sombra negra os acompanhavam. Somente quando estava faltando pouco para chegar ao rancho as nuvens e o vento foram desaparecendo como mágica, trazendo de volta a tranquilidade e a lua brilhou no céu limpo novamente. Os dois chegaram exaustos com a língua de fora como se diz em Minas. O Tonho ficou com tanto medo que na correria bebeu quase toda a garrafa de pinga que compraram, pra ver se dava mais força, mas nem ficou bêbado. Mal dormiram a noite e no dia seguinte pegaram suas coisas e sumiram dali, não quiseram mais saber de terminar a empreitada. Não dava para ficar.

Postado por Paulo Moraes em seu blog Panacéias Essenciais.



06 agosto, 2012

A Visão, de L.F. Riesemberg.

Por mais que Leandro abrisse os olhos, tudo o que ele encontrava por todos os lados era uma infinita escuridão. Tinha passado mais de um terço da vida completamente cego, e só tinha quatorze anos.
Em uma fria manhã, o menino sentou-se num sofá do saguão do pequeno hotel de sua mãe e passou a ouvir o rádio, acreditando estar sozinho naquele ambiente. Curtia a música baixinha, até que escutou a voz de outro menino, certamente um pouco mais novo, espantado:
— Olha só que sinistro este livro que deixaram aqui em cima: as páginas estão todas em branco!
Eduardo, sem enxergar coisa alguma, mas já sabendo do que se tratava, riu e voltou o rosto para o lado de onde vinha a voz:
— Não está em branco. É um livro em Braille — explicou. Ele sempre pegava algum documento deste tipo, na classe especial onde estudava, para praticar a leitura em casa. 
— E o que é isso? Um código secreto? — perguntou a voz na escuridão.
— Nunca ouviu falar? O Braille é uma linguagem criada para que os cegos possam ler. Se não percebeu, eu sou um deles.
A voz no outro sofá fez uma breve pausa, talvez devido ao embaraço sentido, para só então se manifestar:
— É, eu estranhei mesmo você estar usando esses óculos escuros aqui dentro. Achei que fosse meio metido a estrela de cinema, ou coisa parecida. Você não enxerga nada mesmo?
— Nadinha.
—Desde quando?
— Faz exatamente quatro anos, oito meses e quatorze dias. Mas estou na lista de espera de um transplante. Preciso de olhos bons para poder ser médico. Assim que der tudo certo, vou voltar a ver como antes.
— E como é que você lê desse jeito?
O garoto cego pediu que o outro lhe emprestasse o livro, que logo foi depositado cuidadosamente sobre seus joelhos. Leandro abriu em uma página qualquer e, com a ponta dos dedos, passou a decifrar os caracteres salientes do papel e a enunciar o conteúdo em voz alta, em ritmo pausado.
— Das ja-ne-las ve-jo o Se-na que cor-re ao lon-go do meu jar-dim por trás da es-tra-da...&
O outro menino espantou-se:
— Nossa, que fantástico! Você não enxerga nada, mas pode ler palavras que eu não vejo. Isso é uma espécie de mágica!
Na conversa que seguiu, Leandro explicou que aquele hotel era de sua mãe e que, portanto, ele vivia ali.
Era sempre bom ter alguém interessante com quem conversar, mas também era um pouco triste acostumar-se com os hóspedes. Na maioria das vezes eles iam embora logo que começavam a demonstrar ser figuras interessantes, e nem ao menos podiam deixar seus rostos na lembrança do garoto cego. Foi por isso que Leandro decidiu não querer saber muito a respeito dessas brevíssimas amizades: não importava de onde vinham, para onde iam, o que estavam fazendo na cidade, e nem ao menos seus nomes. Tudo o que interessava era a conversa que mantinham naqueles poucos instantes. Achava que desta forma não teria como sentir saudades.
Contudo, naquele dia algo parecia estar diferente. Uma estranha sensação fez com que Leandro acreditasse que aquele menino ficaria com ele por mais tempo.
— Como foi que você ficou cego? — quis saber a voz.
Leandro se surpreendia quando lhe perguntavam isso tão espontaneamente. Era um tanto difícil alguém questionar algo delicado assim, por mais que a curiosidade fosse óbvia. Mas aquela voz — talvez por saber que os destinos de ambos se separariam tão rápido como se cruzaram, ou talvez por se sentir totalmente à vontade com o novo amigo — não teve o escrúpulo de permanecer com a dúvida.
E por falar disso com tão pouca frequência a estranhos, aquela questão ainda era um tanto dolorosa para Leandro. Ele arrependia-se mortalmente do dia em que, brincando de fazer aquelas velhas bombas com garrafas plásticas e cal, uma delas explodiu perto demais de seu rosto. A última coisa que enxergou foi a total brancura de milhares de partículas do pó espirradas em seus olhos, como flocos de neve, para depois não conseguir ver mais nada deste mundo. Com aquela explosão sua vida anterior adquiriu a aura de um sonho, e foi isso que tentou explicar para a companhia que lhe fazia perguntas naquela manhã de inverno.
A voz permaneceu em silêncio por alguns instantes após o relato. Para o cego, havia sido afetada pelo seu drama e não sabia mais o que dizer — era a reação mais comum a todos que ouviam sua história.
Mas a conversação ainda continuaria.
— Você disse que se lembra do tempo que enxergava como se fosse um sonho. Mas foi um sonho bom, daqueles que a gente quer sempre voltar, ou dos ruins, que é melhor esquecer?
Já isso era a primeira vez que alguém perguntava. As únicas lembranças da visão que vieram à mente de Leandro foram de ótimos momentos entre amigos, subindo em árvores, jogando bola, correndo pelo mato com seu velho cão, pescando com o falecido pai, fugindo de um enxame de abelhas após atirar uma pedra na colmeia...
— Um sonho bom, com certeza.
E continuou por mais um breve tempo recordando esses agradáveis e coloridos dias, de modo que uma lágrima ameaçou rolar pelo rosto.
Sem saber se o outro menino havia percebido o prenúncio de choro, Leandro enxugou os olhos ocultos pelas lentes dos óculos e ouviu, da voz:
— Ah, ser cego não deve ser tão ruim assim se você consegue se lembrar de quando enxergava. Eu sempre tive pena dos cegos de nascença: imagine não saber como são as coisas! Como será viver sem nunca ter visto a própria aparência no espelho? Deve ser quase como não existir!
Eduardo concordava quanto à afirmação, mas também era a primeira vez que alguém lhe dizia algo tão sincero, sem medo de medir as palavras.
— Além do mais — continuou a voz — há tanta gente cega que faz coisas tão extraordinárias, não é? Tem aquele cantor negro que toca piano, e até um super-herói dos quadrinhos, que se veste de vermelho...
— O Demolidor — completou Leandro. — Sempre falam dele para mim, mas não tive a chance de ler seus gibis, enquanto podia.
— São muito legais. Ei, por que você quer ser médico?
— Bem, isso veio depois que fiquei cego. Passei um bom tempo internado em hospitais, fiz cirurgias e precisei de muita gente cuidando de mim. Nem todos os médicos e enfermeiras eram legais, mas alguns eram ótimos, que me faziam sentir bem só com algumas palavras, entende? Acho que eu queria mesmo era poder ajudar os outros, assim como eles fizeram e continuam fazendo comigo.
Leandro sentia-se muito bem enquanto falava sobre seu sonho, apesar dos desafios que teria que vencer até chegar lá. Talvez o menino com quem conversava duvidasse de sua capacidade, mas esses admirados médicos, além de alguns professores e, principalmente, sua própria mãe, sempre lhe diziam para continuar acreditando que um dia voltaria a enxergar, e que tudo daria certo em sua vida.
A voz no outro sofá, depois de ouvir o relato do garoto cego, resolveu também abrir-se com o recém-conhecido, e fez uma confissão.
— Sabe, eu também tenho um problema. E acredito que é bem mais grave que o seu. Na verdade meus pais estão muito preocupados, quase sem esperanças já.
— Ah, é? Mas você parece tão bem! — admirou-se Leandro.
— Obrigado. É que você enxerga tudo de outro jeito. Desculpe, mas não vou falar mais nada sobre esse assunto, porque prefiro que você continue me vendo assim.
Qualquer um sentiria grande curiosidade por saber qual era o problema daquele menino. Com Leandro não foi diferente. Mas assim como ele queria ser reconhecido como um ser humano igual a qualquer outro — e não como um simples deficiente — ele logo deixou de pensar nas possíveis deformidades físicas do dono daquela voz, e concluiu que aquele menino lhe fazia sentir-se muito bem, independentemente de como fosse a saúde dele, ou sua aparência.
— Ta bom, não precisa falar. Vamos conversar sobre outra coisa, então.
Nisso, surgiram alguns passos no corredor, e o garoto avisou ao cego que precisava ir embora.
— Tenho que ver algumas pessoas antes de partir. Foi legal falar com você.
Leandro, que durante os minutos de bate-papo acostumara-se com aquela presença ao seu lado, quase teve o ímpeto de perguntar o nome do interlocutor. Na verdade o que mais queria saber era se teriam outra oportunidade para conversar, ou se aquela era a primeira e a última vez. Mas sentiu que se desapontaria caso esperasse algo mais daquele misterioso garoto.
— A gente se vê por aí — a voz falou, já à distância, e sumiu pela porta.
Os passos que se aproximavam eram inconfundivelmente os da mãe de Leandro. Ela chegou muito próximo ao filho e, mesmo nas profundezas do escuro em que vivia, ele sentiu que ela tinha algo importante a lhe dizer.
— Mãe? Está tudo bem?
Ela pigarreou um pouco, como sempre fazia antes de dar alguma notícia não muito boa, e então tomou coragem para falar:
— Sim, filho. Comigo está tudo bem. E com você?
O menino sabia que havia algo errado na voz dela.
— Comigo tudo ótimo. Acabei de conversar com um hóspede muito bacana. Sabe se ele está aqui com os pais, e até quando eles ficam?

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A mãe, estranhando aquelas falas do garoto e temendo dizer algo impróprio, obrigou-se a falar aquilo que incomodava seu íntimo.
— Lê, meu anjo, achei que você soubesse: não há ninguém hospedado aqui hoje! 
— Como não, mãe? E quem era esse menino?
A mãe o fitou, procurando entender o que se passava, e revelou:
— Eu passei duas vezes pelo saguão nos últimos dez minutos, achando que você estava cantando baixinho a música do rádio, ou ensaiando as falas para algum teatro da escola, e não quis interrompê-lo, pois sabia que você teria vergonha. Mas agora não aguentei e vim para tirar a dúvida. Filho, você estava falando sozinho todo esse tempo...
O telefone tocou naquele instante, cortando a frase da mãe preocupada, que foi atender ao aparelho. Leandro ficou processando o que acabara de ouvir e lembrou com nitidez da corrente de ar que havia passado por ele há um minuto, denunciando que o dono da voz com quem conversara havia se deslocado para a porta de saída. Então ele levantou-se do sofá e, com a ajuda da bengala, para a porta dirigiu-se.
A fechadura ainda estava trancada, então Leandro a abriu e pôde sentir em seu rosto o frio daquela manhã. O vento parecia querer brincar com o garoto, desarrumando seus cabelos e assoviando em seus ouvidos, e assim permaneceu por alguns segundos, até lhe arrancar um sorriso.
De repente tudo ficou calmo lá fora, num pacífico silêncio.
Em pensamento, o cego perguntou para o nada: “Você vai voltar?”. Mas não houve qualquer resposta, e o que lhe restou foi regressar para dentro e fechar a porta.
Após aquilo, mãe e filho voltaram às suas atividades normais, recebendo novos hóspedes, e não mais falaram daquele insólito incidente.
Leandro chegou a manter alguns diálogos com os novos fregueses do hotel nos dias seguintes, porém não achou que eles sentiam-se à vontade com sua presença, pois sempre mediam muito as palavras antes de tocar no assunto da cegueira.
Dias depois do ocorrido, quando Leandro estava outra vez sentado no sofá do saguão, o telefone começou a tocar. Ao mesmo tempo em que sua mãe corria para atender, um sussurro em seus ouvidos fez com que se arrepiasse da cabeça aos pés. As palavras pronunciadas foram: “Ninguém precisa de olhos para sentir o vento, um abraço, a chuva ou a música. Pense nisso quando for médico e estiver cuidando de meninos como eu”.
Ainda paralisado com o choque, ouviu a mãe soluçar ao telefone, dizendo coisas como “o que?”, e “ai minha nossa”, e então “que triste!”, e fazendo perguntas, e depois “em coma?”, e “precisamos fazer uma oração”...
Não era possível entender muita coisa, nem do que se passou antes, e muito menos sobre o que se tratava aquela conversa telefônica, e Leandro só conseguiria a resposta depois que ouviu o gentil clique metálico do fone sendo depositado ao gancho.
A mãe, com a voz emocionada, lhe disse:
— Filho, meu amor. Um menino da sua idade, que ficou em coma por duas semanas, acabou de falecer. Os pais dele autorizaram a doação. Você vai voltar a enxergar, querido!

Todos precisam de bons olhos para ver algumas belezas do mundo. Mas conforme um grande sábio costumava dizer, há coisas que só são visíveis para aqueles que sabem olhar mais além; estes, não utilizam um par de olhos, mas a sutileza da alma.

 L.F. Riesemberg In: Contos Fantásticos.



04 agosto, 2012

A Casa dos Rostos Misteriosos...


Ao entrar em sua modesta cozinha em uma abafada tarde de agosto de 1971, Maria Gomez Pereira, uma dona de casa espanhola, espantou-se com o que lhe pareceu um rosto pintado no chão de cimento. Estaria ela sonhando, ou com alucinações? Não, a estranha imagem que manchava o chão parecia de fato o esboçoo de uma pintura, um retrato.
Com o correr dos dias a imagem foi ganhando detalhes e a noticia do rosto misterioso espalhou-se com rapidez pela pequena aldeia de Belmez, perto de Cordoba, no sul da Espanha. Alarmados pela imagem inexplicável e incomodados com o crescente número de curiosos, os Pereira decidiram destruir o rosto; seis dias depois que este apareceu, o filho de Maria, Miguel, quebrou o chão a marretadas. Fizeram novo cimento e a vida dos Pereira voltou ao normal. Mas não por muito tempo. Em uma semana, um novo rosto começou a se formar, no mesmo lugar do primeiro. Esse rosto, aparentemente de um homem de meia idade, era ainda mais detalhado. Primeiro apareceram os olhos, depois o nariz, os lábios e o queixo. Já não havia como manter os curiosos a distância. Centenas de pessoas faziam fila fora da casa todos os dias, clamando para ver a "Casa dos Rostos". Chamaram a policia para controlar as multidões.
Quando a noticia se espalhou, resolveu-se preservar a imagem. Os Pereira recortaram cuidadosamente o retrato e puseram em uma moldura, protegida com vidro, pendurando-o então ao lado da lareira. Antes de consertar o chão os pesquisadores cavaram o local e acharam inúmeros ossos humanos, a quase três metros de profundidade. Acreditou-se que os rastos retratados no chão seriam dos mortos ali enterrados. Mas muitas pessoas não aceitaram essa explicação, pois a maioria das casas da rua fora construída sobre um antigo cemitério, mas só a casa dos Pereira estava sendo afetada pelos rostos misteriosos. Duas semanas depois que o chão da cozinha foi cimentado pela segunda vez, outra imagem apareceu. Um quarto rosto - de mulher - veio duas semanas depois. Em volta deste ultimo apareceram vários rostos menores; os observadores contaram de nove a dezoito imagens. Ao longo dos anos os rostos mudaram de formato, alguns foram se apagando. E então, no inicio dos anos oitenta, começaram a aparecer outros.

O que - ou quem - criou os rostos fantasmagóricos no chão daquela humilde casa? Pelo menos um dos pesquisadores sugeriu que as imagens seriam obra de algum membro da família Pereira. Mas, alguns químicos que examinaram os rostos pintados no cimento levaram algumas amostras das pinturas para serem examinadas em laboratório. Depois de executarem esse trabalho, declararam-se perplexos com o fenômeno, porque a tinta usada pelo suposto “artista do além” continha substâncias completamente desconhecidas, nunca vistas por eles. Com esse resultado, o mistério atraiu cientistas, professores universitários, parapsicólogos, a policia, sacerdotes e outros que analisaram minuciosamente a imagem no chão da cozinha de Maria Gomes Pereira, mas nada concluíram que explicasse a origem dos retratos, confirmando que é bem verdade o que escreveu Shakespeare (no romance Hanlet): “Existem mais mistérios entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia”.


Tesouro Macabro

A história que contarei a seguir é sobre dois amigos de infância, Pablo e José. Os dois eram mexicanos e andarilhavam em direção de San Juan, um pequeno vilarejo na província de Chiapas.
Estava chovendo muito e os cavalos já estavam inquietos. Pablo observara uma caverna em meio às árvores e exclamou: "Veja José, uma gruta seca. Vamos usá-la como abrigo até a chuva passar." José não titubeou e seguiu seu amigo até a tal gruta. Lá dentro, os dois se abrigaram e acomodaram os cavalos. A caverna era gelada e José sentiu um calafrio que percorreu sua espinha. "Vamos sair daqui Pablo, esta caverna me dá arrepios." Balbuciou José tremendo de frio e medo. "Bobagem! Lá fora podemos até morrer naquele temporal. Aqui nós estamos secos e seguros."Retrucou Pablo.
A chuva não dava nem um sinal de cessar. José estava impaciente e Pablo curioso com a caverna. "Vamos lá para o fundo, estaremos mais seguros lá." Entusiasmou-se Pablo.
-"Estas louco homem, podemos nos perder naquela escuridão." Protestou José. "Covarde! Vamos lá, seja homem pelo menos uma vez nessa sua vida." Ameaçou Pablo com um sorriso sarcástico. Mesmo temendo pela sua própria vida, José segue o amigo até o fundo da caverna. Pablo, indo na frente, acende um fósforo e se surpreende com o que vê. Jogado ao chão, milhares de moedas de ouro e prata e até algumas jóias que refletiam a luz do fósforo. Junto delas, um esqueleto humano.
Pablo dá uma gargalhada e grita."Estamos ricos José, ou melhor, estou rico José!" Virando-se imediatamente para o amigo e apontando a garrucha diretamente para a testa dele. Pablo dá um sorriso e vê o pavor do amigo que suplica. "Não Pablo, pelo amor de Deus... nós somos amig...."  E um estrondo interrompe a voz de José. Com um tiro certeiro, Pablo espalha os miolos do amigo no chão... "He, he, he...agora o ouro é só meu, todo meu." Recolhendo o tesouro e colocando-o num saco, Pablo já vai até pensando no que fazer com o dinheiro.
O tempo passa e a chuva também. Com o tesouro devidamente embalado, Pablo sai da caverna sorrindo e gozando do cadáver do amigo."Pena que você não poderá se divertir com este dinheiro companheiro." Pablo coloca o saco com o tesouro no lombo do cavalo e ruma para o vilarejo. Chegando lá, ele vai diretamente para uma pensão, ansioso por contabilizar o seu achado e avaliar o quanto estava rico. Euforicamente, Pablo sobe para o seu quarto mal podendo conter sua alegria. Nem um sentimento de remorsos sente pelo amigo que assassinou...
Já no quarto, o homem tranca a porta e joga o saco no chão. Ao abri-lo, Pablo depara-se com uma cena inesperada e pavorosa que o deixa perplexo e sem conseguir o que tinha diante dos seus olhos arregalados de pavor: -"Não, não pode ser !!! Devo estar ficando louco!!! Não, não pode ser!!! Agoniza o coitado. Ao invés do tesouro, ele encontrou o cadáver rígido de seu amigo José. O tesouro sumira misteriosamente...