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13 julho, 2012

O JUSTIFIICADO TEMOR DO SEPULCRO

Como a maioria das pessoas, o médico e escritor Pedro Nava, nascido em junho de 1903, não estava livre da preocupação de ser sepultado ainda com vida. Recomendou que só o enterrassem 24 horas depois de morto.
Talvez o caso acontecido com o ator e compositor António Maria. o tenham alertado. Autor de músicas de sucesso como “Ninguém me Ama” e “Se eu morresse amanhã”, António Maria faleceu aos 43 anos de um ataque cardíaco, segundo atestaram os médicos em seu atestado de óbito. Tempos depois, ao serem exumados os seus restos mortais, sua ossada foi encontrada em decúbito ventral, ficando evidente que fora enterrado vivo e se revirara na luta desesperada para sair dali. Pobre António Maria...
Outro caso impressionante aconteceu com José Cândido Pessoa de Melo, residente em São José de Mipibu (RN). Mecânico competente, que participou da construção da antiga ponte de ferro que ligava Natal ao povoado de Igapó, passando sobre o rio Potengi.
Em 1922, recebeu de seu primo, o Presidente Epitácio Pessoa, um convite, extensivo a D. Estefânia, sua esposa, para assistirem, no Rio de Janeiro, os festejos comemorativos do centenário da independência. 
As freqüentes crises de asma alérgica o impediram de viajar. Ninguém mais do que ele temia mais ser sepultado vivo. Esse temor vinha de um sonho do seu irmão. Nele, o seu pai, Joaquim Rafael Pessoa de Melo queixava-se de haver sido sepultado ainda com vida. Encontrava-se, dizia, de bruços, posição a que fora levado ao debater-se, consciente de sua desesperada situação.
Anos depois, o filho, com ansiosa expectativa, assistiu desenterrarem os restos mortais do pai, e viu, consternado, confirmar-se o sonho que tanto o preocupara. Seu pai estava de bruços, exatamente como lhe dissera no sonho.
Daí a sua obsessão, que não o abandonou, até falecer em 1926, às 9 horas da manhã de junho, aos 55 anos de idade. Cumprindo um insistente pedido do marido, D. Estefânia só permitiu o enterro no dia seguinte, no mesmo horário em que falecera. Para ser mais exato, o féretro só deixou a sua residência depois que o relógio da Matriz fez soar as 9 pancadas misturadas com os plangentes dobres de finados. Na verdade, permaneceu insepulto mais do que as 24 horas que tanto pedira.

Autor: José de Anchieta Ferreira. Histórias que não estão na história, RN-Editora 1998


12 julho, 2012

Um encontro assombroso e terrível


A cidade de Redenção da Serra, aqui bem perto de nós, é um local agradável e cheio de gente que gosta de contar casos. Dizem que tem este nome em homenagem ao fato de a cidade ter libertado seus escravos em 10 de fevereiro de 1888, três meses antes da abolição oficial dos escravos no Brasil e que foi assinada pela Princesa Isabel. Lembrei-me desta visita porque acabo de receber pelo correio o livro de Maurício Pereira “Causos de Assombramento em Quadrinhos”, muito bom, por sinal. Há alguns anos estive na cidade em busca de uma destas prosas boas e encontrei na parte velha da cidade, próximo à majestosa construção da antiga Igreja Matriz, o senhor Antônio Viana Prata, descendente de italianos, mais especificamente de Veneza, imigrantes que se instalaram na região. Seu Antônio Prata, como é conhecido, nasceu em 1920 e foi criado em Redenção da Serra. Acanhado e atento num primeiro momento, ele é o perfil do homem valeparaibano, só conta algo depois que tem uma certa confiança, e com razão.
Qualquer pessoa que precise de um fato ocorrido na cidade, procura por ele. E foi exatamente dele que escutei coisa tão interessante. Contou-me que, há muitos anos, trabalhava na fazenda Gramado onde retirava leite e lenha. Vinha de vez em quando para a cidade nova vender lenha e foi numa destas idas e vindas que se encontrou com a assombração de Alexandre Barreto.
Passava ele pela ponte da cidade, quando a assombração, magra, calçada com os dois pés numa mesma bota e soltando um brilho amarelo pela boca sorrindo horripilantemente, pulou em sua carroça. A assombração sacudiu tanto a carroça que ela caiu da ponte com seu Antônio e tudo mais que carregava, inclusive o cavalo.
Seu Antônio só foi encontrado e acudido no dia seguinte. Ainda viu a assombração mais algumas vezes e sempre que a via, a criatura arreganhava os dentes colocando para fora da boca um brilho amarelo. Segundo seu Antônio Prata, Alexandre Barreto era um fazendeiro muito genioso e o povo dizia que fizera muita ruindade na região. Quando o fazendeiro morreu, durante o velório, o povo que lá estava velando o corpo viu quando, dois homens de terno branco (que dizem na cidade, eram dois enviados do demônio) apareceram e retiraram o corpo do caixão e jogaram fora, levando-o ao desaparecimento. Para que ocorresse o enterro, cortaram o caule de uma bananeira, colocaram dentro do caixão e realizaram os rituais fúnebres.
Acredite quem queira, mas eu fiquei duas noites custando a dormir. 

Sônia Gabriel
Courier New 9 (Jornal Vale Mais, julho de 2010



O fantasma da noiva suicida...


As antigas fazendas de café do período imperial brasileiro eram muito opulentas e demonstravam todo o poder de seus donos, os Barões do Café. Homens ricos e poderosos tinham autoridade sobre seus negócios, seus escravos e suas famílias tanto quanto sobre suas terras. As casas eram construídas de modo a acolherem a família e os visitantes. Cômodos grandes e confortáveis eram decorados com mobília de madeira boa e objetos vindos da corte, no Rio de Janeiro, e da Europa. A Fazenda Coqueiros, em Bananal – SP, tinha até mesmo banheiro dentro de casa, cofre do tamanho de um quarto de dormir e organizado acesso à água. Os cômodos que, no entanto, chamam mais atenção são as alcovas.
Dentro de uma delas, há o fantasma de uma antiga moradora. Dizem que era uma moça que enlouquecera depois que o pai impediu seu casamento com o homem que amava para forçá-la a casar-se com um velho riquíssimo, proprietário de minas de ouro em Minas Gerais. Como ela não aceitava casar-se com tal noivo interessado em somar as fortunas das duas famílias, no dia do casamento, depois de vestida em um suntuoso vestido de noiva, com uma reluzente tiara de diamantes segurando a rica mantilha de renda,vinda da Espanha, cobrindo seus belos cabelos louros, o pai a fez ficar na alcova até a hora da cerimônia nupcial, na catedral da cidade. A jovem já estava habituada a ficar grande parte parte do tempo nesta acomodação.
As alcovas eram quartos sem janelas, preservava-se assim a pureza das moças de indesejáveis visitantes. Em algumas fazendas chegava-se a estratégia de serem trancadas apenas por fora, desta maneira fossem as jovens da casa ou os visitantes, principalmente tropeiros costumeiros, que pernoitassem, apenas na manhã seguinte poderiam sair, assim que o Barão mandasse abrir as portas. Para o conforto dos ocupantes, na alcova costumavam ter vasilhas com água, toalhas, urinóis e grades acima da porta para entrada de ar.
Passada uma meia hora, o pai veio buscar a filha para levá-la à Igreja onde se casaria. Ao abrir a porta da alcova, parou estarrecido e desesperado diante da tragédia que ali ocorrera: a noiva jazia em sua cama, fulminada pela forte dose de veneno que ingerira, preferindo a morte a casar-se contra a sua vontade. Ao lado do corpo, o vidro vazio de cianureto de potácio não deixava a menor dúvida de que a jovem praticara o suicídio. Em lugar da grande festa de casamento, a família teve o triste velório da bela jovem que enlouquecera devido a tirania paterna.
A partir desse dia, pessoas que habitam nas redondezas do casarão afirmam que já viram o fantasma da noiva caminhando pelos corredores do casarão ou na alcova que lhe servira de prisão.