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20 julho, 2012

A Casa Mal Assombrada


Minha familia havia comprado um sitio muito antigo na cidade de Pinhal do Sudoeste, corria uma história na cidade de que a antiga dona da casa havia sido assassinada pelo seu ex-amante a punhaladas dentro de um dos quartos, por isso aquele sitio era assombrado, ninguém deu muita importancia ao fato, achavamos que era coisa de caipira.
Já na primeira noite, eu que não acreditava nessas coisas passei a respeitar todas as lendas e hisória que o pessoal conta pelo Brasil afora. O sitio era bem grande e antigo com uma aparencia sinistra, tinha 4 quartos, a cozinha não era ligada com o casarão antigo, nem o banheiro, por isso a noite eu tive que dar a volta pela casa para conseguir urinar, neste momento pude perceber alguem parado próximo a um arbusto me observando, nem fui ao banheiro, voltei correndo o mais rapido que pude e enfiei-me em baixo dos lençóis, passando a ouvir varios ruidos pelo corredor, arranhando as paredes, e as vezes até uns gemidos de dor, até que de repente tudo ficou no mais absoluto silencio, ouvindo apenas os animais noturnos.
Quando amanheceu o dia não contei nada a ninguém. O dia estava correndo normalmente, vez ou outra, viamos algum animal andando pelas arvores ou colhendo frutos no chão, a tarde passou e a noite chegou. Noite sem lua. escura e amedrontadora naquele lugar ermo.
Eram aproximadamente 2:00hs da manhã, quando o barulho começou novamente, eu tremia todo de medo, a porta do quarto estava entreaberta, como não havia iluminação elétrica no sitio (o sitio era bem antigo, mesmo), minha mãe deixou uma lamparina no meio do corredor, isso fazia com que eu conseguia ver se alguém passava diante do meu quarto, quando percebi alguém andando em direção ao quarto dos meus pais, achei que fosse minha mãe, pulei da cama corri para o corredor, pois estava com medo e tinha um sofá velho no quarto dos meus pais eu achei que minha mãe deixaria eu dormir lá, já que esta seria nossa ultima noite naquele sitio velho e bizarro.
Assim que alcancei minha mãe no corredor eu a toquei pelo ombro, e tomei um susto enorme, não era a minha mãe, era uma outra mulher em estado de decomposição, no lugar de seus olhos, percebi apenas manchas de sangue, gritei e sai correndo em direção ao meu quarto, joguei-me em cima da cama e a figura monstruosa estava parada na porta do quarto olhando para mim, não me lembro de ter visto meu irmão, porém ouvi seu grito, chamando meu pai, quando olhei novamente em direção da porta, já não havia mais ninguém, segundos depois entraram meu pai e minha mãe no meu quarto, eu contei o que havia acontecido mas eles não se importaram muito, até o meu irmão dizer que havia visto alguém parado na porta do meu quarto, ele achou que fosse minha mãe, e a chamou, mas quando ela virou ele percebeu que não, ele viu que era uma mulher velha e feia com o rosto pálido que parecia que ela estava morta.
Parece que quando meu irmão contou essa história, meus pais perceberam que não era pesadelo que eu tive, pois nunca ouvi casos de pessoas que partilham seus pesadelos. Nós ficamos com aquela casa sinistra cerca de 3 anos, até que de tanto eu não mais aparecer por lá , meus pais resolveram vender o sitio.




´ Um caso estranho

Não sei se no momento eu contemplava as águas da enchente ou se pensava em outras épocas, quando uma boca com dentes de outro me interrompeu:
- Tenho ordem de prendê-lo como envolvido no crime da mala.
- Que mala? - indaguei ainda surpreso, como alguém que acabasse de descer de Marte ou de outra região qualquer.
- Siga-me que na delegacia tudo será esclarecido.
Diante do tom autoritário com que a boca com dentes de outro me falava, resolvi seguir o investigador. Atravessamos uma rua deserta, cruzamos uma praça cheia de crianças brincando, desembocamos num largo e por fim entramos num prédio baixo com aspecto de casa de comércio.
Quando menos esperava, fui empurrado para dentro de uma sala escura onde o delegado de plantão me recebeu com ar teatral:
- Então! Custou mas caiu nas mãos da justiça! Ninguém escapa da lei! Confesse, que é a única cousa inteligente que tem a fazer!
A princípio achei graça em tudo aquilo. Pensei mesmo que estava sendo vítima de uma brincadeira de mau gosto. Depois, diante da insistência do delegado, comecei a suar frio. Que sabia eu do crime da mala? É bem possível que alguém, parecido comigo, tivesse cometido o crime pelo qual me acusavam. Há tanta gente parecida no mundo. Ainda há tempos encontrei no bonde um cidadão tão parecido com Henry Fonda que fiquei abismado. Tinha até o jeito de sorrir do simpático artista. Por um pouco não chamei a atenção do cavalheiro para o fato. O próprio delegado, que me interrogava, tinha qualquer cousa de semelhante com o investigador que me havia dado voz de prisão. O verdadeiro culpado talvez se parecesse comigo. Não encontrava outra explicação para tudo aquilo. De súbito fui despertado pela boca com dentes de ouro, que me disse:
- Acompanhe-me.
Segui como um autômato o investigador que me fechou numa sala tão baixa que tive que me curvar para não bater com a cabeça no teto. Justamente no momento em que me curvei, dei com um morto estendido dentro de uma mala meio aberta. Recuei e fiz um grande esforço para não gritar. O morto parece que me acusava com os seus olhos parados, com os seus olhos que vinham de um outro mundo. Tive a impressão de que estava sendo vítima de uma alucinação. Os olhos do morto parece que se dilatavam cada vez mais.
Dominei-me a custo e debrucei-me sobre o morto para examinar melhor a sua fisionomia e não pude conter um grito: o morto era eu. Era eu que estava dentro da mala meio aberta...
"
Paulo Corrêa Lopes
(1898 - 1957 | Brasil)


15 julho, 2012

Viagem Astral


A experiência que passo a relatar ocorreu cerca de um ano após o falecimento do meu segundo marido, de quem eu sentia uma imensurável saudade e um intenso desejo de vê-lo, nem que fosse em sonho. Sou espírita e, portanto, sei que não sou médium vidente nem auditiva. Assim, não tinha esperanças de ver o seu espírito. O tipo de mediunidade que tenho é apenas a que me permite momentos de desdobramentos e, quando freqüentava sessões de mediúnicas, psicografava e chegava perceber a presença de espíritos, em minha mente, com clareza suficiente para descrever suas fisionomias, trajes e ambiente em que viviam. Como me assustavam esses fenômenos, preferi deixar de participar em tais reuniões.
Pelas minhas lembranças da infância e juventude, acredito que o fenômeno do desdobramento (ou viagem astral) aconteceu várias vezes, sem que eu tomasse consciência do que estava me acontecendo. A primeira vez que me veio a consciência de que foi numa tarde em que, deitada no assoalho da sala, tentava relaxar a coluna que estava dolorida. De repente, vi-me em um lugar desconhecido, muito bonito, arborizado como se fosse um imenso parque. Eu caminhava sobre uma espécie de passarela que separava o enorme parque ajardinado em duas partes. Do lado direito, o piso era recoberto com uma grama verde escuro e tinha árvores frondosas de uma espécies que nunca vira antes, da mesma forma que não reconheci as plantinhas floridas que compunham os canteiros situados do lado esquerdo. Eu me via de pés descalços, trajava uma roupa longa de tonalidade azul, de tecido leve com discreta transparência e sentia algo no meio das costas que me parecia uma trança longa (eu tenho os cabelos curtinhos). A passarela longa fazia uma curva para a esquerda. Curiosamente o material que a revestia era diferente de qualquer um que conhecia: eram lajotas quadradas, como se fossem feitas de vidro azulado, com uma luminosidade opaca linda. De início eu prestava atenção aos detalhes que descrevi, Quando levantei a vista para a frente foi que percebi a curva da passarela, as árvores que formavam um extenso bosque e, a esquerda do terreno, uma construção baixa, de cor rosa, de onde se podia ouvir ruídos de vozes. Mas, o que me chamou mais atenção foi a presença de um homem, de costas, trajando um terno cinza, de cabelos grisalhos na altura do ombro, que pintava numa tela, com moldura dourada, o busto de uma mulher, certamente de memória, pois não havia nenhuma modelo pousando.

Pude ver que havia pendurados nas árvores próximas a ele vários quadros pintados com a mesma imagem feminina que estava pintando, vestida com trajes do século XIX. O vestido era cor de melão, com mangas bufantes, ornada com a mesma renda que rodeava o decote, rematada com um arranjo de flores, igual ao que havia no chapeuzinho de palhinha, preso por uma fita vermelha, da qual esvoaçavam duas pontas do lado esquerdo. Era uma linda e jovem mulher. Do lado direito, estavam pendurados nas árvores, várias cópias de uma mesma fotografia que retratava um casal de meia idade, sorridentes e se olhando nos olhos: Era ele com os mesmos cabelos grisalhos e uma mulher de meia idade, bonita e feliz.
Emocionada, dei-me conta que aquele homem, que nem me estava vendo, era o meu falecido marido.. Nesse momento tentei apressar o passo para chegar perto dele e poder dar o abraço de despedida que sua morte súbita não ensejou. Fiquei ansiosa para falar com ele... Apressei mais o passo... Mas, de repente, uma espécie de campo de força, potente e invisível, impediu que eu prosseguisse. Por mais que eu tentasse, não conseguia atravessar aquela barreira invisível.
Contudo, estava próxima dele o suficiente para ver que estava acabando de pintar mais um retrato da mesma mulher jovem trajada à moda antiga.

Ele olhava para a tela enquanto com um pano branco na mão esquerda, limpava os 3 pinceis que usara, enquanto repetia o nome da mulher retratada, de forma bem audível e pausada, como quem acha o retrato tão exatamente igual à imagem guardada na memória, que a chama como se viva e acessível fosse: -“BIA... BIA... BIA...

A mulher de meia idade do quadro em que está com ele, e a mulher jovem vestida à moda antiga são a mesma pessoa em épocas diferentes: EU MESMA...   BIA era como ele me chamava...