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31 julho, 2012

Os Mistérios e Assombrações do Bloco 5

No condomínio que morei, quando criança, existiam varias lendas de assombrações e cemitérios escondidos em baixo dos prédios, cada bloco tinha uma assombração de estimação, mas nenhum dos blocos superava o bloco 5, varias pessoas chegaram a se mudar dali para fugir das assombrações. Toda semana acontecia algo assombroso no bloco 5, quando a minha mãe (que era a sindica) precisava ir ao bloco 5, ela se benzia e rezava antes de colocar os pés naquele bloco, esse bloco era tão assombrado que ganhou o apelido de “Bloco Zé do Caixão”.
Eu e outras crianças do condomínio morríamos de vontade de ver uma assombração, algumas vezes agente ia brincar no bloco 5 só para ver se viamos algo, mas apesar de algumas janelas batendo sozinhas (e sem vento) e alguns barulhos estranhos, nós nunca tinhamos visto nada. Um dia decidi fazer um grupo para explorar o bloco 5 à noite. Convidei um amigo que convidou outro amigo, que convidou mais dois... no final das contas eram 15 crianças querendo passar a noite em claro na procura por assombrações. Nós decidimos fazer essa “expedição” (para quem era criança aquilo era um máximo da aventura) num final de semana, das 15 crianças apenas 5 tiveram coragem para enfrentar o desafio... Ficou combinado que iríamos pousar na casa do Marquinho e à noite iríamos sair de fininho (como a mãe do Marquinho tomava remédios para dormir e uma vez dormindo ela não acordava nem com um terremoto, iria ser fácil sair de fininho), ficou combinado também que cada um iria levar uns suprimentos para ajudar a passar a noite, quem não pudesse levar suprimentos teria que levar algo para ajudar na caçada ( lanterna, mochila, crucifixo, alho, estilingue...).
Como havíamos combinado, fomos passar a noite na casa do Marquinho, colocamos os pijamas e fingimos que fomos dormir, quando escutamos os roncos da mãe do Marquinho, agente trocou de roupa, pegou os suprimentos e saímos de fininho pela porta.
Estávamos todos excitados, era a primeira vez que a maioria ficava acordada após a meia noite. Cortamos caminho pelo bosque, sempre tomando cuidado para não sermos pegos pelo segurança (como ele vivia dormindo, não iria dar problemas)
A noite tudo fica mais assustador, apesar de felizes pela grande aventura, estávamos com tanto medo que ninguém se desgrudava do grupo. A parte mais assustadora foi entrar no bloco 5 depois da meia noite, ele já era macabro de dia, a noite ele ficava mais macabro ainda.
Pé por pé, devagarinho, iniciamos a explorar o bloco 5, começamos no térreo e pelas escadas nos fomos galgando andar por andar, até chegarmos no 6° andar, que era o último, dai decidimos descer andar por andar. Procurando em todos, subimos do térreo para o 6° andar diversas vezes, sempre à procura de assombrações e filmando tudo, tínhamos levado uma câmera, já que gravar um filme de um fantasma iria ser uma boa prova e uma boa oportunidade de aparecer na TV... Assim, tratamos de gravar tudo, mas depois começou a acabar a fita e a bateria, então desligamos a bendita filmadora e só ligaríamos de novo quando encontrássemos um fantasma.
Depois de 2 horas de buscas, bateu uma fominhaaaaa... Então, sentamos juntos nos degraus das escadas e montamos um piquenique ali mesmo. No final do piquenique, escutamos, nitidamente, um choro de criança. Todos se borraram de medo, apesar das penas estarem tremendo eu desci as escadas. Além de me arrastar nas pernas bambas, eu tive que arrastar os outros em pior estado e, mesmo apavorados, a nossa curiosidade era ainda maior. Assim, fomos até a origem do som, o andar térreo. Ligamos a filmadora e procuramos a assombração, então começamos a ouvir barulhos vindo do mesmo lugar, parecia dois bebês chorando. Andamos de um lado para o outro procurando a assombração, mas, o que acabamos por encontrar foi um casal de gatos namorando... Ah!... Foi um alivio... Depois ficamos com raiva e enxotamos os gatos que estavam no cio...
Já eram quase 5 da manhã e nada de assombração, espírito, fantasma, capeta, saci, mula sem cabeça, cuca... nadaaaaa, agente procurou, procurou muito e nada. Estávamos decepcionados e pensando em desistir da idéia de achar um fantasma, nos juntamos no 2° andar para decidir se ficavamos mais um pouco ou se íamos embora. Começamos a discutir se ficávamos ou não, quando, de repente, a nossa conversa foi interrompida por passos subindo as escadas, “Vixe Maria!” Tem gente vindo e vai nos ver...” (pensei comigo), ficamos mudos, morrendo de medo de ser o vigia e que ele nos dedurasse para nossos pais.

Para nossa surpresa era uma bonita menina da nossa idade que saiu do vão das escadas, ela era pálida, de cabelos longos e castanhos e usava uma camisola branca longa, que arrastava no chão, até ai tudo bem, não tinha nada de mais, ela foi para o outro lado do corredor e entrou em um dos apartamentos. Andava devagar e parecia nem ter nos notado. Mas, um detalhe estranhíssimo chamou-nos a atenção e deixou-nos arrepiados: ela entrou sem abrir a porta que estava fechada... Deus nos acuda!... Quando nós percebemos o que acabara de acontecer, bem às nossas vistas, bateu um terror avassalador, uma sensação medonha, e saímos voando dali direto para o apartamento do Marquinho. Passou o resto da noite sem dormir, com medo da assombração voltar, a maioria ficou uma ou duas semanas sem dormir e nenhum de nós ousou sequer pensar em passar perto do bloco 5 outra vez... A grande frustração foi não ter filmado a assombração.

Fonte: www.alemdaimaginação.org.com

20 julho, 2012

A Casa Mal Assombrada


Minha familia havia comprado um sitio muito antigo na cidade de Pinhal do Sudoeste, corria uma história na cidade de que a antiga dona da casa havia sido assassinada pelo seu ex-amante a punhaladas dentro de um dos quartos, por isso aquele sitio era assombrado, ninguém deu muita importancia ao fato, achavamos que era coisa de caipira.
Já na primeira noite, eu que não acreditava nessas coisas passei a respeitar todas as lendas e hisória que o pessoal conta pelo Brasil afora. O sitio era bem grande e antigo com uma aparencia sinistra, tinha 4 quartos, a cozinha não era ligada com o casarão antigo, nem o banheiro, por isso a noite eu tive que dar a volta pela casa para conseguir urinar, neste momento pude perceber alguem parado próximo a um arbusto me observando, nem fui ao banheiro, voltei correndo o mais rapido que pude e enfiei-me em baixo dos lençóis, passando a ouvir varios ruidos pelo corredor, arranhando as paredes, e as vezes até uns gemidos de dor, até que de repente tudo ficou no mais absoluto silencio, ouvindo apenas os animais noturnos.
Quando amanheceu o dia não contei nada a ninguém. O dia estava correndo normalmente, vez ou outra, viamos algum animal andando pelas arvores ou colhendo frutos no chão, a tarde passou e a noite chegou. Noite sem lua. escura e amedrontadora naquele lugar ermo.
Eram aproximadamente 2:00hs da manhã, quando o barulho começou novamente, eu tremia todo de medo, a porta do quarto estava entreaberta, como não havia iluminação elétrica no sitio (o sitio era bem antigo, mesmo), minha mãe deixou uma lamparina no meio do corredor, isso fazia com que eu conseguia ver se alguém passava diante do meu quarto, quando percebi alguém andando em direção ao quarto dos meus pais, achei que fosse minha mãe, pulei da cama corri para o corredor, pois estava com medo e tinha um sofá velho no quarto dos meus pais eu achei que minha mãe deixaria eu dormir lá, já que esta seria nossa ultima noite naquele sitio velho e bizarro.
Assim que alcancei minha mãe no corredor eu a toquei pelo ombro, e tomei um susto enorme, não era a minha mãe, era uma outra mulher em estado de decomposição, no lugar de seus olhos, percebi apenas manchas de sangue, gritei e sai correndo em direção ao meu quarto, joguei-me em cima da cama e a figura monstruosa estava parada na porta do quarto olhando para mim, não me lembro de ter visto meu irmão, porém ouvi seu grito, chamando meu pai, quando olhei novamente em direção da porta, já não havia mais ninguém, segundos depois entraram meu pai e minha mãe no meu quarto, eu contei o que havia acontecido mas eles não se importaram muito, até o meu irmão dizer que havia visto alguém parado na porta do meu quarto, ele achou que fosse minha mãe, e a chamou, mas quando ela virou ele percebeu que não, ele viu que era uma mulher velha e feia com o rosto pálido que parecia que ela estava morta.
Parece que quando meu irmão contou essa história, meus pais perceberam que não era pesadelo que eu tive, pois nunca ouvi casos de pessoas que partilham seus pesadelos. Nós ficamos com aquela casa sinistra cerca de 3 anos, até que de tanto eu não mais aparecer por lá , meus pais resolveram vender o sitio.




´ Um caso estranho

Não sei se no momento eu contemplava as águas da enchente ou se pensava em outras épocas, quando uma boca com dentes de outro me interrompeu:
- Tenho ordem de prendê-lo como envolvido no crime da mala.
- Que mala? - indaguei ainda surpreso, como alguém que acabasse de descer de Marte ou de outra região qualquer.
- Siga-me que na delegacia tudo será esclarecido.
Diante do tom autoritário com que a boca com dentes de outro me falava, resolvi seguir o investigador. Atravessamos uma rua deserta, cruzamos uma praça cheia de crianças brincando, desembocamos num largo e por fim entramos num prédio baixo com aspecto de casa de comércio.
Quando menos esperava, fui empurrado para dentro de uma sala escura onde o delegado de plantão me recebeu com ar teatral:
- Então! Custou mas caiu nas mãos da justiça! Ninguém escapa da lei! Confesse, que é a única cousa inteligente que tem a fazer!
A princípio achei graça em tudo aquilo. Pensei mesmo que estava sendo vítima de uma brincadeira de mau gosto. Depois, diante da insistência do delegado, comecei a suar frio. Que sabia eu do crime da mala? É bem possível que alguém, parecido comigo, tivesse cometido o crime pelo qual me acusavam. Há tanta gente parecida no mundo. Ainda há tempos encontrei no bonde um cidadão tão parecido com Henry Fonda que fiquei abismado. Tinha até o jeito de sorrir do simpático artista. Por um pouco não chamei a atenção do cavalheiro para o fato. O próprio delegado, que me interrogava, tinha qualquer cousa de semelhante com o investigador que me havia dado voz de prisão. O verdadeiro culpado talvez se parecesse comigo. Não encontrava outra explicação para tudo aquilo. De súbito fui despertado pela boca com dentes de ouro, que me disse:
- Acompanhe-me.
Segui como um autômato o investigador que me fechou numa sala tão baixa que tive que me curvar para não bater com a cabeça no teto. Justamente no momento em que me curvei, dei com um morto estendido dentro de uma mala meio aberta. Recuei e fiz um grande esforço para não gritar. O morto parece que me acusava com os seus olhos parados, com os seus olhos que vinham de um outro mundo. Tive a impressão de que estava sendo vítima de uma alucinação. Os olhos do morto parece que se dilatavam cada vez mais.
Dominei-me a custo e debrucei-me sobre o morto para examinar melhor a sua fisionomia e não pude conter um grito: o morto era eu. Era eu que estava dentro da mala meio aberta...
"
Paulo Corrêa Lopes
(1898 - 1957 | Brasil)