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08 dezembro, 2013

A Arquitetura Gótica e os Templários


Um núcleo, provavelmente ultra secreto, dos Templários, formado à liderança da Ordem (seria esse o pequeno grupo dos cavaleiros do Graal), dispunha, por meio das tábuas completas da lei, de um conhecimento ainda hoje fora do alcance da humanidade. Por exemplo, podemos provar que os Templários não só racionalizaram como também revolucionaram a agricultura. No tempo do florescimento da Ordem do Templo, surgiu a arquitetura gótica.
Curiosamente, esse "aparecer" foi repentino, e não resultado de um crescimento orgânico e lento. O goticismo não cresceu da arquitetura romana que a precedeu. Era algo completamente novo. Subitamente estava lá. A arquitetura romana baseia-se numa força que age de cima para baixo; a cúpula redonda pressiona com seu peso os muros e estabiliza dessa maneira a construção. Os arcos pontudos da catedral gótica baseiam-se exatamente no princípio contrário: a pressão age de baixo para cima. Enquanto uma cúpula romana pode eventualmente cair, se mal construída, um arco gótico pode explodir. Trata-se de um caso de tensão dinâmica.
Resumindo. Podemos dizer que os arquitetos romanos, com toda sua inteligência, aplicaram nas suas construções uma técnica pouco diferente daquela usada pelos construtores megalíticos, quando amontoavam pedras pesadas umas sobre as outras. Já a catedral gótica exige um conhecimento muito maior, assim como dados científicos, tradicionalmente recebidos ou geometricamente calculados e recalculados constantemente. Isso superava amplamente os conhecimentos daquela época. Além da arquitetura e agricultura, outro fato é válido também para o campo financeiro. Os monarcas estavam constantemente sem dinheiro. As cidades eram pequenas e o núcleo de habitantes também; a igreja protegia cuidadosamente seu tesouro. Os funcionários públicos eram, salvo raras exceções, bastante pobres. Logicamente podemos perguntar o que estaria atrás dessa mania de construir que consumia somas astronômicas. É muito provável que essas construções, surgindo de uma hora para outra, dentro de um curto espaço de tempo, dezenas ao mesmo tempo, faziam parte de um gigantesco projeto ainda não esclarecido para a humanidade.

De onde vieram esses operários especializados, do arquiteto ao escultor ou o chaveiro, num mundo de relativamente poucos habitantes?

Seja como for, nasceu uma classe de operários de construção, treinados numa técnica exemplar e fisicamente livres para, em caso de necessidade, se locomover de uma oficina para outra, sem problemas. Não é sem razão que se considera essas oficinas de construtores livres (chamadas loges, em francês) como precursores das lojas franco-maçônicas. Entre as invenções dos Templários, podemos acrescentar a idéia original da criação dos bancos, com seus cheques e outros métodos de créditos, projetados para ajudar as finanças e suas atividades na Terra Santa..


Postado por Paulo Moraes em seu blog Panacéia das Curiosidades

Do Além... Conto de H. P. Lovecraft

Horrível, para além de qualquer concepção, foi a mudança por que passou meu melhor amigo, Crawford Tillinghast. Eu não o vira desde aquele dia, dois meses e meio antes, quando ele me falou da meta em direção à qual suas pesquisas físicas e metafísicas se encaminhavam e quando respondeu à minha demonstração de espanto e medo expulsando-me de seu laboratório e de sua casa num estouro de raiva fanática.
Eu sabia que ele agora passava a maior parte do tempo fechado em seu laboratório no sótão com aquela maldita máquina elétrica, comendo pouco e afastado até dos próprios criados, mas não pensara que um período tão breve de dez semanas pusesse alterar e desfigurar de tal maneira uma criatura humana. Não há prazer em ver um homem garboso tornar-se magro de repente, e é pior ainda quando a pele flácida começa a amarelar ou a acinzentar, os olhos fundos, esgazeados, brilhando de modo sobrenatural, a testa enrugada e coberta de veias, e as mãos trêmulas e contorcidas. E se, adicionado a isso, houver um desalinho repulsivo, uma desordem louca do vestir, moitas de cabelos escuros esbranquiçados na raiz, e uma sombra de barba não aparada sobre um queixo que sempre fora cuidadosamente barbeado, o efeito cumulativo será chocante.
Mas esse era o aspecto de Crawford Tillinghast na noite em que sua mensagem pouco coerente me trouxe até sua porta depois de semanas de exílio. Tal era o espectro que tremia enquanto me fazia entrar, uma vela na mão, a olhar furtivamente por sobre o ombro, como se receoso de coisas invisíveis na casa antiga e solitária, situada ao fundo da Benevolent Street.
Para Crawford Tillinghast, ter um dia estudado ciência ou filosofia fora um erro. São coisas que deveriam ser deixadas para o investigador impessoal e frio, pois oferecem duas alternativas igualmente trágicas ao homem de sentimento e ação: desespero, se fracassa em sua busca, e terrores indizíveis e inimagináveis, se obtém sucesso. Tillinghast fora presa uma vez do fracasso, da reclusão e da melancolia; mas agora eu sabia, entre receios repelentes de minha parte, que ele era presa do sucesso. De fato, eu o tinha alertado, duas semanas antes, quando aventou, num ímpeto, a história do que estava prestes a descobrir. Tornara-se vermelho e excitado, falando num tom de voz muito alto e antinatural, embora sempre pedante.
"O que sabemos", ele dissera, "sobre o mundo e o universo ao nosso redor? Nossos meios de receber impressões são absurdamente escassos, e nossas noções dos objetos que nos cercam são infinitamente estreitas. Vemos as coisas somente na medida em que somos construídos para vê-las e não podemos fazer idéia alguma de sua natureza absoluta. Com cinco débeis sentidos, queremos compreender o cosmos ilimitadamente complexo, enquanto outros seres, com uma gama de sentidos diferente, mais ampla ou mais possante, não apenas poderiam ver de modo diferente as coisas que vemos, como também ver e estudar mundos inteiros de matéria, energia e vida que jazem próximos de nós, mas que não podem ser detectados com os sentidos que temos.

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07 dezembro, 2013

A Dança do Pesadelo


Um marido e três filhos, uma casa, umas festinhas de vez em quando, muita simpatia e energia de sobra. A princípio, Thina parece ser uma mulher normal com uma vida realizada, mas se não fosse um gosto estranho por certos escritos e músicas sombrias, ela não teria pela frente um acontecimento tão terrível em sua vida.
Thina Curtis era uma grande fã de um fanzine chamado Sombrias Escrituras, e admirava a música de Getúlio Silenzio, cujo projeto musical ele mesmo denominou como sendo “Gargula Valzer”.
O marido de Thina a avisava sobre seus estranhos gostos para música e literatura: “Não fique lendo muito esse fanzine, e essa música então! Você vai acabar tendo pesadelos...”
De fato, o fanzine Sombrias Escrituras só trazia em suas páginas versos desesperados de melancolia, suicídio, soturnismo, horror, terror e depressão. Eram poemas sombrios, às vezes acompanhados por ilustrações inquietantes. Os artigos só traziam como tema a literatura de autores atormentados pelo lado mórbido da vida, muitos eram suicidas. E a música do Gargula Valzer, algumas vezes, trazia um tempero parecido, e ainda era acrescido de temas vampíricos.
O responsável pelo fanzine Sombrias Escrituras era conhecido pelo pseudônimo Sr. Arcano, e dizem as más línguas que Arcano e Getúlio Silenzio conspiravam nas sombras um meio de fazer prevalecer as forças das trevas, influenciando seus fãs para o caminho do mal...
Mas Thina Curtis não se importava com nada disso. Ela adorava ler todas as edições do fanzine Sombrias Escrituras, e delirava com os CDs do Gargula Valzer! Em seu quarto ela guardava numa estante os fanzines e CDs, e tinha pôsteres de Getúlio Silenzio e Arcano colados nas paredes. Sem dúvida, ela era uma criaturinha das trevas!
E mesmo com três filhos para criar, ela ainda tinha tempo de sair para as festas góticas de São Paulo. Com muita bebida e música fazendo sua cabeça girar, ela viajava no mundo de Getúlio e Arcano. Thina sonhava acordada com castelos assombrados habitados por vampiros, e Getúlio Silenzio sentado num trono oferecendo a ela uma taça de sangue; Cemitérios em que os poetas suicidas das Sombrias Escrituras saíam de seus túmulos para um Sabat regado a vinho e poesia. E alguns personagens surgiam para atormentar sua mente ainda mais atormentada: Alessandro Reiffer, o poeta maldito que queria, a qualquer custo, um apocalipse para acabar de vez com essa humanidade asquerosa, vinha num enorme cavalo negro que exalava fogo das narinas, e logo atrás vinha Marcos T. R. Almeida, o insano!, carregando em correntes várias mulheres para suas orgias demoníacas. Mas esse mundo maldito não era constituído só de homens, pois logo atrás vinham as vampiras Ânira Noctum, um cadáver, que em vida chamava-se Dejanira; e Kleide Keite, com lágrimas negras caindo de seus olhos sombrios. E logo depois vinha a terrível bruxa Rosana Raven, invocando uma tempestade terrível para essa reunião de seres malditos.
Thina pensava no que seu marido lhe dizia: “Não fique lendo muito esse fanzine, e essa música então! Você vai acabar tendo pesadelos...”. E ela ficava pensando: “Ah! Como seria legal se eu sonhasse com isso tudo!”. Mas Thina só podia mesmo imaginar, porque nunca em seus sonhos ela viu sequer um personagem desses.

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